A vida perfeita do feed e o desastre fora dele

Tem gente que, nas redes sociais, desfila frases motivacionais, selfies sorridentes e um discurso impecável. É quase um manual de autoajuda em carne e osso, com citações de filósofos, hashtags de superação e filtros de felicidade eterna. Mas basta desligar o Wi-Fi para perceber que a vida real não tem nada a ver com a novela encenada no feed.

A ironia é cruel: quanto mais impecável o discurso virtual, mais bagunçada costuma ser a vida offline. É como aquele perfil que prega equilíbrio emocional, mas mal consegue atravessar um dia sem explodir em frustração. Ou o guru da positividade que não suporta a própria sombra. No palco digital, o texto é lindo; nos bastidores, a peça é um fracasso.

É claro, cada um sabe das suas dores. Mas é curioso notar como muitos transformaram as redes sociais em confessionários disfarçados de palcos. O problema não está em expor sentimentos, mas em vender uma versão de si que não resiste a dez minutos de convivência real.

No fim, a pergunta que fica é simples: de que adianta colecionar curtidas se não consegue colecionar paz? A vida não se resolve com frases de efeito, nem se disfarça com filtros. Talvez o que falte a essa gente não seja mais engajamento, mas menos hipocrisia. Afinal, viver bem fora da tela continua sendo a maior prova de autenticidade.