O diagnóstico precoce do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma das maiores ferramentas de inclusão que uma família pode receber. Quanto antes identificado, mais cedo se inicia o cuidado, o acolhimento e as intervenções que podem mudar o futuro de uma criança. Mas, ao mesmo tempo em que cresce a consciência sobre o tema, cresce também um risco perigoso: transformar o autismo em modinha, em comércio, em rótulo rápido demais.
Será que em seis, dez sessões, conseguimos de fato compreender uma criança e decretar que ela tem TEA? É sobre vidas, não sobre números. É sobre sentimento, não sobre mercado. É sobre futuro, não sobre negócios. Quando banalizamos o diagnóstico, não estamos só apressando processos, estamos correndo o risco de frustrar famílias, limitar sonhos e gerar estigmas irreversíveis.
Autismo não pode ser tratado como etiqueta para justificar comportamentos, nem como ferramenta para alimentar clínicas que oferecem laudos apressados. O diagnóstico sério requer tempo, avaliação multiprofissional, sensibilidade, humanidade. Não se trata de “encaixar” uma criança em protocolos, mas de entender sua história, sua forma de ser, sua singularidade.
Vivemos uma era em que a pressa domina. Mas, quando falamos de TEA, pressa sem critério é descuido. Diagnóstico precoce é fundamental, mas diagnóstico precipitado é violência silenciosa.
Pais e mães precisam de acolhimento, não de rótulos fáceis. Crianças precisam de oportunidades, não de carimbos apressados. O TEA não pode virar produto de prateleira. É hora de resgatar a seriedade, a ciência e, acima de tudo, a humanidade no processo. Porque, no fim das contas, não estamos falando de estatísticas, estamos falando de vidas.