Estamos nos idiotizando! e fingir que não vemos isso é compactuar com o problema. As redes sociais, que nasceram como espaço de conexão, se transformaram num palco de mentiras ensaiadas. É a era da falsa felicidade, da vida filtrada, da lágrima maquiada para a câmera. Todo mundo quer ser alguém, mas ninguém quer ser quem realmente é.
Viramos reféns do aplauso digital. Se não postar, não viveu. Se não receber curtidas, não importa. O “like” virou atestado de existência, e a ausência dele, sentença de invisibilidade. Criamos um teatro patético: exibimos viagens que não curtimos, relacionamentos que não funcionam e conquistas que não mudam nada na vida real. Tudo para sustentar um personagem que sorriria até no próprio velório, desde que fosse transmitido ao vivo.
E tem mais: a vitimização virou estratégia de marketing pessoal. Sofrer publicamente rende mais engajamento do que qualquer discurso coerente. Não importa se a dor é real ou fabricada, o que importa é quantos se comoveram e compartilharam. Estamos transformando o sofrimento em produto e o exibicionismo em virtude.
Onde vamos parar? No dia em que não soubermos mais diferenciar uma emoção genuína de uma postagem bem editada. No dia em que todos estivermos tão ocupados interpretando, que a vida real seja apenas intervalo para carregar a bateria do celular.
A verdade é dura: estamos cada vez mais conectados às telas e cada vez mais desconectados de nós mesmos. E, se não pararmos para olhar de fora, vamos acabar aplaudindo de pé a nossa própria decadência.